Menos muitas das vezes é mais, quando se fala em atividades extracurriculares para fazer na infância, quando criança.

Vivemos em um século que a “correria” para alcançar o sucesso e perfeição no emprego, com a aparência e para mostrar filhos “mais que perfeitos” para os outros, está ultrapassando limites.

Vivemos em uma competição absurda, parece uma olimpíada diária, mas para chegar a onde? E por quê?

Óbvio que tudo conheça de cima para baixo.
Os adultos vivem assim e automaticamente envolvem os filhos nas mesmas rotinas de correria e competição vividas diariamente por eles.

- Competição de quem ganha mais (em salário), homens ou mulheres.
- Quem tem o melhor cargo, o carro mais caro, mais amigos no facebook, mais fotos legais, de lugares bacanas para colocar no facebook...
- Homens querem ser sarados e fortes, sem se preocupar com a saúde.
- A mesma coisa acontece com as mulheres, querem ser magras, lindas, a qualquer custo.
- Os filhos precisam estudar desde muito cedo, praticamente o dia todo, em escola bilíngüe, fazer esporte, música, teatro, ufa...

E bota “ufa” nisso...

Tudo isso e muito mais, são bagagens que carregamos diariamente, que interferem diretamente no convívio com os filhos e da carga que passamos para eles.

Injetamos regras, obrigações e uma correria de adulto nas crianças, que precisam passar pela infância, experimentando o simples ato de brincar.

E às vezes privamos essas crianças de brincar, pelo fato da competição, de que quando ele ou ela for um adulto, terá ou poderá ter mais oportunidades que a maioria das outras pessoas perante a concorrência.

E também privamos a criança de brincar ou de ser criança, quando “pensamos” que brincar ou simplesmente não ocupar o dia com alguma atividade extra, é uma perda ou desperdício de tempo.

Não é de hoje que pesquisas e assuntos que abordam a desaceleração da rotina das crianças vêm sendo publicado, comentado e divulgado.

Veja um exemplo, no texto abaixo, retirado da Revista Pais & Filhos eletrônica. 
Uma pesquisa feita nos EUA pela revista Parents, em parceria com a empresa Synovate Inc., concluiu que metade das mães considerava a opção “ter um tempo de qualidade com os filhos” como principal prioridade. E mais de dois terços dos entrevistados concordaram que as crianças de hoje estão sobrecarregadas e que eles gostariam de incentivá-las a “parar por um momento e sentir o aroma de uma rosa”. Ou pra catar jabuticaba no pé, traduzindo para a realidade brasileira. 
“Brincar não é algo fútil. É a necessidade básica de uma criança”, diz um dos autores do artigo. Como dizia a educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), brincar é o trabalho da criança. 


E agora que estamos no começo do ano, período de férias e de renovação de matrícula da escola, esportes e atividades extracurriculares, precisamos “pensar e analisar” se os filhos gostam mesmo dessas atividades, ou apenas fazem porque os pais matricularam “achando” que estaria fazendo o melhor.

Antes de matricular seus filhos em “aulas e atividades”, na tentativa de preencher o tempo deles, procure saber diretamente com eles, o que acham dessa sua atitude.

Veja o comentário feito pela escritora, pedagoga e psicóloga Elizabeth Monteiro, em seu livro, “A culpa é da mãe”.
É importante saber que as crianças são agitadas. Algumas mais, outras menos. Existem também as crianças mal-educadas.
Criança sem atividade fica mais agitada ainda. Essas crianças precisam brincar muito, criar seus brinquedos e brincadeiras e se sujar. Atividades artísticas são excelentes calmantes. Por outro lado, crianças com atividade demais também fica agitada.
Não lhe sobra tempo para ficar sozinha, curtir as suas coisinhas queridas... O excesso de atividades é tão prejudicial quanto à falta.

Os pais sempre agem pensando no melhor, em fazer e proporcionar o melhor aos filhos, porém nem sempre o melhor para os pais é o melhor para os filhos.

Cuidado para não “sonhar ou se iludir” sobre a vida da criança.
Sonhar e colocar expectativas suas, na vida da criança, como sendo delas, é péssimo.

O futuro é importante, mas o agora, também é.

Vejo meu filho de 3 anos e meio interpretando cenas de filmes e desenhos.
Brincamos juntos repetindo falas vistas e ouvidas em seus filmes preferidos.
Percebo que ele decorou as falas enquanto brincamos e juntos improvisamos cenas com os brinquedos deles, usando a criatividade, para deixar um cenário perfeito para brincar.
Brincando, meu filho aprende cores, nomes, formas, números, aprende a dialogar, a dividir seus brinquedos, a esperar a sua vez para falar.
Enfim, não vejo nada tão importante na vida de uma criança do que o brincar.

                                            Imagem: Google - http://mibufc.wordpress.com/ 

O que devo fazer então, se menos muitas das vezes é mais, quando se fala em atividades extracurriculares para fazer na infância?

O que você deve fazer é achar o equilíbrio e ser coerente com a realidade do seu filho (a), ou seja, ele gosta ou ele quer fazer tais atividades que estou propondo para ele ou ela?

Tudo na vida tem a hora certa, acredite.

Eu tenho uma piscina de 1000 litros montada no quintal de casa e em uma das nossas brincadeiras, falei para o meu filho que ele precisava fazer novamente aulas de natação, para aprender a nada.
Sabe o que ele respondeu?
- Não preciso fazer aula de natação, eu já sei nadar, olha.
E começou a nadar, segurando no fundo da piscina. (Eu ri e falei tudo bem então.)

Meu filho está com um pouco de medo da piscina, eu já percebi isso, mais ele não quer fazer natação.
E eu como mãe e educadora em Educação Física, sei que a melhor coisa é esperar, forçar só aumenta o medo e a insegurança.

Eu sei que na hora certa, ele mesmo vai pedir para fazer natação.

O gostoso da vida é fazer algo com prazer, vontade, sem perseguição e cobrança.

A vida de adulto é tão corrida, tão competitiva, cheia de cobranças, responsabilidades, então porque não deixar a criança ser criança, e na hora certa, os compromissos vão surgindo, aos poucos, sem sufocar e desgastar a criança?
Pense, reflita e deixe a vida mais leve para vocês e para os seus filhos.

Veja abaixo alguns links de pesquisas e assuntos que abordam a desaceleração da rotina das crianças, como havia dito logo acima.

Beijos,
Até a próxima.
Mãe Sem Fronteiras.

Movimento prega a 'desaceleração' da rotina das crianças.

Devagar e sempre.

O dia em que parei de mandar minha filha andar logo.

Competição dos pais. Pais competem entre si, para saber qual filho sabe mais coisas que o filho do outro. http://www.todacriancapodeaprender.org.br/infancia-nao-e-carreira-e-filho-nao-e-trofeu/

Nenhum comentário