Valorizando os sentimentos das crianças. Um arraiá diferente na escola!

Todos dessa roça casaram. (Foto e crédito: Flávia do Portal Mães Brasileiras)
Estamos no mês de Junho, época de comemoração das Festas Juninas nas escolas, e também nas casas, igrejas...

Amigos e famílias se reúnem para dançar ou assistir as danças dos caipiras mirins.
Geralmente as danças são realizadas entre as crianças, mas a festa é para todos, com muita fartura de comida e bebida, pipoca, doces, amendoins, entre outras comidas típicas da época e da festa...

Esse ano o Vitor começou em uma nova escola, porque ingressou no ensino fundamental. A escola que ele estudava anteriormente era apenas o ensino infantil.

E quero compartilhar com vocês uma atitude que achei incrível, por parte da escola que o Vitor estuda.



Todas as crianças dançaram de noivos e noivas, e finalmente todas as crianças vão casar nessa roça, minha gente! Ara sô. (risos)

Poxa vida, para uns pode ser um detalhe, mas para mim é um detalhe que faz toda a diferença não para o agora, mas para toda a vida, para o futuro.

Convido-te a pensar e lembrar a sua infância.
Quem nunca desejou ser a noiva ou o noivo?
Quem nunca pensou:
- Porque não sou a noivinha ou o noivinho dessa roça?

Alguns podem dizer que nunca desejaram, mas muitos eu sei que sim, desejaram dançar de noivo ou de noiva.

O noivo e a noiva da festa caipira têm um destaque muito chamativo e importante nas festas... E festas são diversão e alegria, e não uma competição de desigual oportunidade, de quem será o noivo ou a noiva...

http://maesbrasileiras.com.br/

Achei essa atitude da escola um pequeno grande passo, de pessoas que olham para os sentimentos das crianças... De pessoas que realmente estão preocupadas com o que as crianças sentem.

E sem fazer distinção, por altura, beleza, classe social, entre outros motivos, todos finalmente casaram. Todas as crianças da festa junina, dessa roça, casaram-se. ♥

E o que mais me deixa motivada e muito #feliz, é que os sentimentos das crianças estão sendo levados em consideração...  Os sentimentos estão sendo ouvidos. O emocional finalmente está tendo vez e voz”.

Quando fui comprar a camisa xadrez do Vitor, comentei com a moça atendente sobre a atitude da escola, e que estava procurando um terninho para o casamento, enfim, ela se manifestou com essas palavras:
- Nossa que bacana essa atitude da escola. Quando eu era criança desejava muito ser a noiva, e sempre a “loirinha ou a bonitinha da classe” era a noiva.

Muitas das vezes a gente pensa que as crianças não percebem a intenção por trás de uma escolha, mas as crianças percebem sim...
A prova está ai, no comentário de uma moça que se manifestou por livre e espontânea vontade, sobre a distinção que é representada por trás de uma simples escolha nas escolas, de quem será a noiva e o noivo da festa caipira...

Sabemos que a história da dança da festa junina envolve apenas um casamento, de uma moça que precisa casar porque engravidou...

O problema e toda a questão, é que a escolha nem sempre foi justa e honesta por parte das escolas, e sim baseada em um estereótipo de beleza. 
O que sempre causou de certa forma, um constrangimento (interno) em algumas crianças que também desejam dançar de noivo ou de noiva.

Talvez o que faltou nas escolas, foi uma explicação mais detalhada sobre o que é a dança caipira na festas juninas, e depois a oportunidade de escolha entre as crianças, talvez...

Enfim, desejo que mais pessoas que administram “escolas e pessoas”, olhem mais para os sentimentos e não somente para a estética, para o bem estar de um ou de outro aluno (a), mas também olhem para o coletivo, para os sentimentos...

E se você me perguntar: - Se todos da roça se casam, não estamos mudando a raiz da história, da dança, do conto?
Sim, em parte sim, estamos mudando...
Mas porque não mudar, não adaptar de vez em quando, não olhar para as histórias com um olhar mais amplo?

Se você fizer uma comparação aos tempos antigos e suas histórias, perceberá que muita coisa mudou também, com os dias atuais...

Pode ser que a história não precise ser mudada, e sim o jeito que as coisas são feitas... Quem sabe...

Cuidar dos sentimentos das pessoas é como cuidar da alma e do coração... E sabemos muito bem que os sentimentos vividos na infância podem perduram por toda a vida...

Queria compartilhar essa iniciativa bacana, da escola do Vitor com vocês...
Atitudes positivas a gente precisa espalhar... Espero que tenham gostado...
Beijos e até a próxima.

Ju

Um comentário:

  1. Oi Ju e Vitinho!

    A iniciativa da escola do Vitinho foi muito bacana! Eu sempre dancei quadrilha na escola. Nunca fui noivinha. Laura dançou muita quadrilha também. Agora não está gostando mais.

    Este ano observei muitas mães na escola da Laura sugerindo que as crianças dançassem assim como foi na escola do Vitinho. Elas não estão gostando do método mais tradicional, pois parece que está gerando uma certa competição...

    E se não derem um jeito, a festa acaba. É preciso inovar.

    Muito legal festa a iniciativa desta escola! Ficou linda a festa!!!

    Beijos carinhosos!

    Re e Laura

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