Autismo, você já ouviu falar, conhece algum autista?

Esse assunto demorou um pouquinho para ser publicado, porque a maioria das definições apresentadas trazia uma forma pouco, “talvez” humanista.
Humanista no sentido de: valorizar o ser humano e a condição humana acima de tudo. Está relacionado com generosidade, compaixão e preocupação em valorizar os atributos e realizações humanas.

Quando falamos de pessoas, na terceira pessoa, precisamos avaliar o que está sendo dito, para não ofender, machucar, generalizar situações, que às vezes são “raras”, mas que merecem respeito.

A maneira de falar ou escrever um texto, um material científico, faz toda uma diferença para quem ouve ou lê esse material.

Eu estava pensando...

A sociedade brasileira conhece o autismo? Sabem do impacto que ele tem sobre as famílias? Tem se solidarizado com as famílias tocadas por ele?

Onde estão as pessoas com autismo no Brasil?
As suas famílias sabem o que elas têm e das possibilidades de intervenção?
Sabem que elas podem aprender e viver melhor? Têm acesso à informação de qualidade sobre autismo? Conhecem os direitos dos seus filhos? Têm acesso à orientação médica e psicológica? Acesso à educação?

Preciso confessar.

Durante os meus estágios em 2002, tive o primeiro contato com uma criança autista, mas só agora, depois de 11 anos e de ler muito sobre assuntos que envolvem a maternidade, pude chegar a essa conclusão, que aquele garotinho era autista.

Triste isso não?
Descobrir sobre o autismo só depois de mais de 10 anos, durante as minhas pesquisas pela internet, sobre a maternidade.

Eu não sabia do assunto autismo na época, a dona da escola que trabalhei e fiz os estágios acredito que não sabia também, e a mãe, com certeza não sabia de nada, porque me lembro do seu rosto, onde poderíamos perceber aquele ar de interrogação, de não saber ao certo o que estava acontecendo com seu filho.
Aquela mãe só sabia que precisava colocar seu filho na escola, e que talvez ele precisasse de uma atenção diferente, mas não sabia em qual escola, pois algo estava “fora do comum”, mas não conseguia identificar o que exatamente ela precisava fazer.

Inclusive na minha época de faculdade, tínhamos textos e matérias sobre “a inclusão” e o trabalho com pessoas com Síndrome de Down, deficiências físicas e motoras, mas nada sobre o autismo, como trabalhar, entender, e melhor recepcionar as pessoas autistas.
Por isso que eu digo, informação é “quase tudo”, pois não basta ter a informação, precisa saber o que fazer com ela, e nesse caso é divulga o assunto autismo e descobrir que isso não é um bicho de sete cabeças, apenas um novo mundo que precisamos estar preparados para recepcionar e entender melhor.

De ante mão, peço desculpas, caso por algum descuido, possa me referir aos autistas de alguma forma menos sutil, cordial, generosa, pois a intenção é levar a informação a onde ela puder chegar.

Não precisamos saber sobre o autismo somente se tivermos um filho, um parente ou um vizinho que tenha essa disfunção, mas precisamos saber para recepcionar essas crianças, jovens, adolescentes ou adultos, com todo o amor e carinho que eles merecem.
Para que possamos compreender e interagir melhor, sem cobranças, reclamações, desprezos ou bullying, ok?

Então vamos lá.

O que é Autismo?

O Autismo é um Transtorno Global do Desenvolvimento (também cha­mado de Transtorno do Espectro Autista), caracterizado por alterações sig­nificativas na comunicação, na interação social e no comportamento da criança.
Essas alterações levam a importantes dificuldades adaptativas e aparecem antes dos 03 anos de idade, podendo ser percebidas, em alguns casos, já nos primeiros meses de vida.
As causas ainda não estão claramente identificadas, porém já se sabe que o autismo é mais comum em crianças do sexo masculino, independente da etnia, origem geográfica ou situação sócio econômica.

Existem outros Transtornos Globais do Desenvolvimento?

Sim, até o momento foram identificados oito transtornos, segundo a Classi­ficação Internacional de Doenças (CID-10), oficialmente adotada pela legis­lação brasileira.

A classificação estabelece um código para cada problema de saúde. Os Transtornos Globais do Desenvolvimento receberam o código F84, que con­tem os seguintes transtornos:
Autismo infantil (F84.0), Autismo atípico (F84.1), Síndrome de Rett (F84.2), Outro Transtorno Desintegrativo da Infância (F84.3), Transtorno com Hiper­cinesia associada a Retardo Mental e a Movimentos Estereotipados (F84.4), Síndrome de Asperger (F84.5), Outros Transtornos Globais do Desenvolvi­mento (F84.8) e Transtornos Globais Não Especificados do Desenvolvimento (F84.9).

Esses transtornos foram classificados conjuntamente porque todos causam, de algum modo, distúrbios no desenvolvimento, ou seja, o desenvolvi­mento ocorre de um jeito diferente do esperado para crianças da mesma idade. Ademais, todos afetam, de várias maneiras e intensidades, a comuni­cação, a interação social e o comportamento da pessoa.
Os mais conhecidos, além do Autismo infantil, são a Síndrome de Asperger (autismo de alto desempenho, onde a inteligência e a fala estão preserva­das, apesar das dificuldades sociais) e a Síndrome de Rett (de origem gené­tica claramente identificada, pode levar a uma deficiência intelectual grave, ocorrendo quase sempre em crianças do sexo feminino).


Quais são os principais sinais de autismo?

Cada pessoa com autismo tem características próprias, mas existem alguns sinais que costumam ser mais comuns (alguns podem estar presentes e outros não, com intensidade e gravidade diferentes em cada caso).

A seguir apresentamos alguns sinais importantes que podem indicar a presença de traços autistas ou de outros problemas, e que podem ser percebidos no ambiente familiar, social e escolar.

• O relacionamento com outras pessoas pode não despertar seu interesse;
• Age como se não escutasse (ex. não responde ao chamado do próprio nome);
• O contato visual com outras pessoas é ausente ou pouco freqüente;
• A fala é usada com dificuldade, ou pode não ser usada;
• Tem dificuldade em compreender o que lhe é dito e também de se fazer compreender;
• Palavras ou frases podem ser repetidas no lugar da linguagem comum (ecolalia);
• Movimentos repetitivos (estereotipias) podem aparecer;
• Costuma se expressar fazendo gestos e apontando, muitas vezes não fazendo uso da fala.
• As pessoas podem ser utilizadas como meio para alcançar o que quer;
• Colo, afagos ou outros tipos de contato físico podem ser evitados;
• Pode não demonstrar envolvimento afetivo com outras pessoas;
• Pode ser resistente a mudanças em sua rotina;
• O que acontece a sua volta pode não despertar seu interesse;
• Parece preferir ficar sozinho;
• Pode se apegar a determinados objetos;
• Crises de agressividade ou auto-agressividade podem acontecer.

Porém, ATENÇÃO, esses sinais são apenas indicativos, o diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, a partir da utilização de técnicas próprias, como entrevistas e observação clínica.

Como e quando é feito o diagnóstico? Existem exames?

Chegar a um diagnóstico de autismo não é simples, pois os Transtornos do Espectro Autista não são muito conhecidos e não existem exames para identificá-los. Porém, alguns podem ser necessários para descartar outros problemas, como exames auditivos (de ouvido), visuais (de vista) etc.

É preciso fazer uma avaliação completa da criança para se chegar a um diagnóstico, que deve ser feito por uma equipe de profissionais especializados.

Essa equipe vai precisar de um tempo para observar o comportamento da pessoa, analisar sua história de vida e o desenvolvimento de suas relações sociais. A avaliação não é feita em um único atendimento, é um processo que deve ter acompanhamento contínuo. Essa avaliação também vai indicar o trata-tratamento mais adequado para cada pessoa, e deve ser refeita periodicamente para acompanhar sua evolução.

Com relação a bebês e crianças pequenas, é preciso cuidado com previsões definitivas sobre seu futuro, afinal, ela está em desenvolvimento e muita coisa ainda pode acontecer. Porém, é muito importante identificar os chamados “sinais ou traços autistas” o quanto antes! Assim é possível realizar intervenções precoces, fundamentais para auxiliar à família e à criança em suas dificuldades.

Suspeito que meu filho tenha autismo, quem eu procuro?

Não há um padrão de atendimento no Estado de São Paulo – diagnósticos e encaminhamentos são realizados a partir da rede de serviços disponível em cada município.

Desde os primeiros dias de vida a criança deve ter acompanhamento médico, que pode ser realizado na rede pública (Unidades Básicas de Saúde), em serviços de convênios ou na rede particular.

Ao perceber os primeiros sinais de risco para o desenvolvimento infantil, o médico deve encaminhar, o quanto antes, a criança para avaliação de uma equipe de profissionais especializados no serviço de referência de seu município, que pode ser um Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), organizações especializadas (ONGs) ou outros serviços públicos disponíveis.
A avaliação para diagnóstico de adultos também é feita a partir da atenção básica à saúde, com encaminhamentos para os serviços de referência de cada município. A rede de atendimento disponível no Estado de São Paulo pode ser localizada através dos links disponibilizados no final da cartilha em PDF, que pode ser encontrada na página do facebook: Pelo Direito dos Autistas

O que é intervenção precoce?

É uma das tendências atuais de tratamento, voltada para o acompanhamento da relação da mãe (ou quem exerce a função materna) com o bebê ou criança pequena (0 a 3 anos).
A intervenção é feita logo que surgem os primeiros sinais de risco para o desenvolvimento infantil, evitando que o desenvolvimento dessas crianças se encaminhe para transtornos ou deficiências graves.
O pediatra é o profissional de referência na primeira infância, por isso seu papel é essencial na observação desses sinais precoces. Assim, é preciso garantir que os pediatras, e outros profissionais da atenção básica à saúde, recebam a formação e o treinamento adequados para atuarem como agentes de identificação e prevenção de sinais precoces de risco para o desenvolvimento infantil.
É importante que essa rotina pediátrica esteja incluída no atendimento integral à saúde das crianças, através de programas específicos na assistência materno-infantil da saúde pública.
Também se fazem necessárias a ampliação e o fortalecimento de centros especializados de acompanhamento de pais e de crianças que apresentam sinais de risco e sofrimento, já que é essencial intervir precocemente para proporcionar a essas crianças um desenvolvimento mais saudável e uma melhor qualidade de vida!

O autismo tem remédio ou tratamento?

Não há medicamentos específicos para o autismo, mas remédios podem ser receitados quando há outra doença associada ao autismo como epilepsia, hiperatividade etc. Porém, o uso de medicamento deve sempre seguir recomendação médica e deve ser feito sempre junto com outros tratamentos.

A maioria dos estudiosos afirma que o autismo não tem cura (até o presente momento), pois mesmo quando há um ótimo desenvolvimento suas características permanecem por toda a vida. Portanto, já existem tratamentos que podem levar a criança a um excelente desenvolvimento e a uma melhor qualidade de vida, ainda mais quando são realizadas intervenções precoces.

Os pais também precisam de ajuda?

Sim, com certeza.
É muito difícil para os pais que têm filhos com autismo enfrentarem essa situação, principalmente quando recebem o diagnóstico. Nos momentos difíceis, orientações de um profissional qualificado podem ajudar muito.
Os pais também podem contar com a ajuda de pessoas próximas ou que tenham experiência com situações semelhantes. O importante é que essas pessoas saibam compreender e aceitar o sofrimento destes pais, acolhendo-os da melhor forma, sem críticas ou julgamentos.
A psicoterapia, bem como outras formas de acompanhamento terapêutico, pode ser indicada para auxiliar aos pais na compreensão do que está acontecendo e do que estão sentindo, inclusive acolhendo sentimentos comuns, como negação, raiva, rejeição, culpa, frustração, ressentimento etc.
Quando os pais estão bem eles podem ajudar ainda mais seus filhos.

Essas e outras informações, bem como os direitos que os autistas têm, previstas na constituição, você pode encontras a partir desses links abaixo, de apoio, auxílio e ajuda aos autistas e sua família:







O que todos precisamos saber ou fazer agora?

Agora que você conhece um pouco sobre o autismo, não julgue uma criança, um jovem ou adulto, quando tiver algum comportamento menos desejado ou pouco retorno ao estímulo feito a ele ou ela.

Se você souber ou desconfiar que alguma criança do seu meio de convívio, tem autismo, não chegue desesperada dando a notícia aos pais, avós ou parentes.
Se desconfiar, fique calma (o), pense em uma forma mais amena, menos invasiva e exagerada, em levar a informação sobre a suspeita de a criança ser autista.
A primeira sugestão é dizer para a mãe ou responsável, procurar um pediatra de confiança para buscar saber sobre determinados comportamentos do bebê ou da criança, sobre os resultados obtidos pelos estímulos diários ou a falta de retorno desses estímulos.
De repente seu filho (a) tem um amiguinho (a) da escola, que seja autista, e você pode ajudá-lo a compreender o amigo (a) e como tentar interagir melhor com ele ou ela, o que esperar e não se frustrar, apenas compreender aquele amiguinho (a) do seu jeito de ser.

Assim, vamos juntos, criando um mundo melhor, com um olhar menos crítico e mais compreensivo.
Assim podemos criar os nossos filhos ensinando a não exercer o “bullying” com os amigos (as) e sim ajudar, apoiar, incluir e não separar e afastar as pessoas.
Criamos filhos menos egoístas, mais compreensivos com as diferenças.

Espero que tenham gostado do texto e que essa informação não fique guardada, possa ser compartilhada, comentada compreendida.

Aqui é uma mãe que não mede esforços para levar informação, dicas e idéias desse mundo da maternidade, aqui é uma Mãe Sem Fronteiras.

Obrigada.
Beijos,
Mãe Sem Fronteiras.

Fonte:

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